homem de todos os gozos, que pode desejar tudo, porque pode desejar qualquer coisa. recolhe um pequeno gozo de todas as sobras de tudo que está intituído, do resto daquilo que ele não criou e não quer assumir, porque ele não pode assumir nada dessa máquina que o faz gozar. uma subversão pelo cinismo que só a angústia obriga-o a vislumbrar uma redenção, mas a angústia só leva a uma redenção provisória. angústia: quando vislumbra o vazio de onde tira os seus pequenos prazeres inconsistentes. angústia: porque está perdido nesse vazio, na pluralidade vertiginosa do seu vazio. jamais estaria perdido se fosse realmente capaz de desejar. não importa o que, o que importa é o quanto! um pouco de vida apenas o sufoca. é preciso que ele passe por tudo, mas como se não percebesse. é preciso que tudo se passe como se fosse absolutamente a mesma coisa caso ele não passasse. eu queria ver essa máquina ir ao extremo para que esse fascismo que ela esconde (e efetiva!) viesse à tona e se mostrasse à luz do dia naquilo que ela é.

mas agora o que eu queria, queridx, era que me ensinassem a me proteger da máquina de pequenos gozos. como me livrar dela sem me tornar o seu pequeno gozador. nenhuma política ensina isso. porque nenhuma política olha para isso. a felicidade, a prosperidade, a paz, a igualdade… são grandes demais, importantes demais. adulto nenhum é capaz de nos livrar disso, ansiosos demais em nos ver tendo algo, ansiosos demais em nos ver participando disso tudo para não ser um vagabundo que eles acreditam que quase foram se não fosse também por seus adultos ansiosos.

é uma grande besteira, queridx, o motivo mais importante que move tudo isso que acontece ao redor e te submete com tanta força… continuo prefirindo acreditar em outra coisa…

Deixe um comentário