Novembro 23, 2008

“Sim, senhor. Quem pode com uma mulher? Porque você sabe o que eu acho? Acho que ela estava apenas viajando. Não acho que ela tivesse a menor intenção de encontrar seja quem for que estivesse seguindo. Acho que ela jamais pretendeu isso, só que não tinha dito a ele. Acho que essa foi a primeira vez que ela foi mais longe de casa do que poderia caminhar de volta antes do ocaso da sua vida. E que ela tinha ido tão bem até esta lonjura, com as pessoas cuidando dela. E por isso acho que ela meteu na cabeça de viajar um pouco mais e ver o máximo que podia, pois acho que sabia que quando se assentasse desta vez, provavelmente seria para o resto da sua vida. Isso é o que eu acho. Sentada ali naquele caminhão, com ele do seu lado agora e o bebê que não parou um instante de comer, que vinha tomando o café-da-manhã fazia quase dezesseis quilômetros como se estivesse num desses carros-restaurantes do trem, e ela olhando para fora e vendo os postes telefônicos e as cercas passando como se fosse um desfile de circo. Porque depois de um tempo eu disse: ‘Aí vem Saulsbury’, e ela diz: ‘O quê?’, e eu disse: ‘Saulsbury, Tennessee’, e olhei para trás e vi o seu rosto. E era como se ela já estivesse preparada e esperando para ser surpreendida, e que ela soubesse que quando a surpresa viesse ia gostar dela. E ela veio e lhe serviu. Porque ela disse: ‘Ora, ora. O tanto que a gente anda. Não faz dois meses que nós estamos vindo do Alabama, e agora já é o Tennessee’” (Luz em Agosto).

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