sabendo da realidade do seu amor, quem seria capaz de imaginar que ela só se tornaria realmente feliz após a sua partida? quem poderia supor que a sua felicidade e a realização daquilo que ela desejava não poderiam jamais coincidir? a distância fazia parte do que ele era dentro dela e só quando longe ele seria realmente algo. quando perto,  não lhe causava sofrimento, mas caía em uma banalidade cotidiana que ofuscava todo e qualquer brilho que antes se produzia. tal qual os autores que tanto amamos, mas quando temos a oportunidade de compartilhar com eles uma mesa de bar, se tornam perfeitos idiotas como qualquer outro. porém ela era corajosa demais para se satisfazer com a distância. ela precisava olhar para ele, sentir sua respiração próxima da sua carne, ainda que ao custo de se livrar do que era e inventar outra conjunção [elamundo]. fracassou: como os meninos que retornam para o meio da rua quando a senhora de sacolas na mão terminou de atravessar o campo delimitado por quatro chinelos (dois em cada gol), a felicidade retornava com a partida dele. e apenas quando ele morreu qu’ela sentiu sua presença real. e disse, num relâmpago de consciência: “triste mundo de desejo no qual o tempo todo somos lançados em uma estratégia na qual aquilo que queremos e fazemos deve ser sempre incluído, nos nossos cálculos, na terceira pessoa do singular, ainda que muitas vezes temos todos os motivos para supor que não se trata de uma apenas”.