Freud, em A Interpretação dos Sonhos, sobre o recente tratamento europeu aos imigrantes (“ilegais” ou não) e o recente caso da brasileira Paula Oliveira na Suíça:
“Imaginemos o seguinte caso: há uma pessoa de minhas relações a quem odeio, de maneira que tenho uma viva inclinação a ficar contente quando alguma coisa adversa lhe acontece. Entretanto, o lado moral de minha natureza não faz concessões a esse impulso. Não me atrevo a expressar o desejo de que ela seja infeliz e, caso ela depare com algum infortúnio imerecido, suprimo minha satisfação diante disso e me imponho manifestações e pensamentos de pesar. Todos já devem ter passado por essa situação em algum momento. Mas acontece então que a pessoa odiada, por alguma transgressão sua, envolve-se num aborrecimento merecido; quando isso acontece, posso dar rédea solta à minha satisfação por ela ter recebido uma punição justa e, nisto, estou de acordo com muitas outras pessoas que são imparciais. Posso observar, contudo, que minha satisfação parece mais intensa que a dessas outras pessoas; ela recebeu um acréscimo da fonte de meu ódio, até então impedida de manifestar seu afeto, mas que, com a alteração das circunstâncias, já não tem nenhum obstáculo para fazê-lo. Na vida social, isso geralmente ocorre sempre que as pessoas antipáticas ou os membros de uma minoria impopular se mostram sem razão”.
(propaganda eleitoral do SVP, o partido do atual presidente suíço)