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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 23:03:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[ato simbólico]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;OBJETO TRANSICIONAL&#8221; &#8211; Winnicott
&#8220;OBJETO PARCIAL&#8221; &#8211; Melanie Klein
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;OBJETO TRANSICIONAL&#8221; &#8211; Winnicott</p>
<p>&#8220;OBJETO PARCIAL&#8221; &#8211; Melanie Klein</p>
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		<title>imaginário/simbólico</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 21:03:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[S: &#8220;um dia, a srta. de montpensier estava nas barricadas, talvez estivesse ali por acaso, e talvez isso não tivesse importância numa certa perspectiva, mas o que há de certo é que apenas isso é que resta na História, ela estava ali, e deram à sua presença um sentido, verdadeiro ou não verdadeiro. no momento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=201&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>S: &#8220;um dia, a srta. de montpensier estava nas barricadas, talvez estivesse ali por acaso, e talvez isso não tivesse importância numa certa perspectiva, mas o que há de certo é que apenas isso é que resta na História, ela estava ali, e deram à sua presença um sentido, verdadeiro ou não verdadeiro. no momento em que as coisas acontecem, aliás, o sentido é sempre um pouco mais verdadeiro, mas é o que se tornou verdadeiro na história que conta e funciona. ou isso vem de um remanejamento posterior, ou então já começa a ter uma articulação no momento mesmo em que as coisas acontecem&#8221; (S. III, p.131).</p>
<p>I: &#8220;o que é importante é compreender o que se diz. e para compreender o que se diz é necessário ver os seus substitutos, as suas ressonâncias, as suas superposições significativas. sejam quais forem, e podemos admitir todos os contrasensos, nunca é ao acaso. quem medita sobre o organismo da linguagem deve saber o mais possível, e fazer, tanto a propósito de uma palavra quanto de um torneio, ou de uma locução, o fichário mais completo possível. a linguagem funciona inteiramente na ambiguidade, e a maior parte do tempo vocês não sabem absolutamente nada do que estão dizendo. na nossa interlocução mais corrente, a linguagem tem um valor puramente fictício, vocês atribuem ao outro o sentimento de que estão sempre entendendo, isto é, de que são sempre capazes de dar a resposta que se espera, e que não tem nenhum ligação com qulquer coisa que seja possível de ser aprofundada. os nove décimos dos discursos efetivamente realizados são completamente fictícios&#8221; (S.III, p.135).</p>
<p>S: &#8220;(&#8230;) o traço fundamental da ordem simbólica: a linguagem vem sempre a mais, acrescenta-se como um excesso, mas, se retirarmos esse excesso, perderemos o que queríamos discernir em &#8216;estado bruto&#8217;, sem o elemento supérfluo, ou seja, a realidade mesma&#8221; (<em>O Mais Sublime dos Histéricos, </em>p.31).</p>
<p>S: &#8220;o aspecto crucial do conceito lacaniano do simbólico é essa prioridade lógica, essa anterioridade do lugar (vazio) em relação aos elementos que o preenchem: antes de ser um conjunto de &#8217;símbolos&#8217; portadores de uma &#8217;significação&#8217; qualquer, o simbólico é uma rede diferencial estruturada em torno de um lugar vazio, traumático, determiado por Lacan como <em>das Ding</em>, lugar &#8217;sagrado&#8217; do gozo impossível&#8221; (<em>idem</em>, p.121).</p>
<p>S: &#8220;o simbólico é precisamente essa ordem formal que vem como terceiro em relação à dualidade composta pela realidade empírica externa/interioridade da vivência subjetiva&#8221; (<em>idem</em>, p.137).</p>
<p>I: &#8220;Janela Indiscreta&#8221; (Alfred Hitchcock)</p>
<p>S: cena final de &#8220;Tempo Modernos&#8221; (Charlie Chaplin)</p>
<p>I: FETICHISMO como estratégia para suturar uma falta constitutiva: &#8220;amar um chinelo é realmente ter objeto de seus desejos ao alcance&#8221; (S. IV, p.85).</p>
<p>I: [diplopia] a FANTASIA comporta dois níveis, a sabe, [1] a relação do sujeito e grande Outro e [2] a relação eu (a&#8217;) e pequeno outro (a).</p>
<p>I: CONCEPTUAL-BREAKTHROUGH  (&#8220;An important subset of conceptual-breakthrough stories consists of those in which the world is not what it seems. The structure of such stories is often that of a quest in which an intellectual nonconformist questions apparent certainties&#8221; &#8211; Clute, J. Nicholls, P. <em>Encyclopedia of Science Fiction</em>, p.479) e FRUSTRAÇÃO (&#8220;A Dialética da Frustração&#8221;, S.IV, p.59).</p>
<p>O diplopia própria à cena fantasmática é tematizada quando Deleuze afirma em <em>Diferença e Repetição</em> que &#8220;todos somos narcisos, mas nós não somos aquilo que contemplamos&#8221;. O que Deleuze quer dizer é que há um duplo nível na experiência onde o campo das identificações (o imaginário) não coincide com a articulação entre os elementos que compõe esse campo e que inclui o próprio eu. No filme de Hitchcock, <em>Janela Indiscreta</em>, há o nível onde o observador traça o seu campo, onde ele identifica o seu lugar e de cada um dos seus vizinhos, mas há também um nível que ele ignora e que observa a sua observação. É como se coexistissem dois níveis determinando a experiência, mas apenas um deles é passível de ser determinado como o campo de visibilidade ao qual o sujeito tem acesso. Sem dúvida, o primeiro é a relação que Lacan estabele entre o eu (a&#8217;) e o pequeno outro (a) e o segundo é a relação do sujeito com o grande Outro. Acontece que o sujeito tem um vislumbre da diplopia de sua experiência quando o seu lugar de observador é ameaçado e ele se vê envolvido em uma trama que o obriga a agir, não apenas observar. Segundo a <em>Enciclopédia de Ficção Científica </em>de Clute e Nicholls, esse fenômeno se chama <em>conceptual breakthought</em>. Isso ocorre quando um personagem de um romance descobre subitamente que os seus vizinhos são zumbis ou que o mundo real é na verdade uma simulação de computador. Eles dizem: &#8220;an important subset of conceptual-breakthrough stories consists of those in which the world is not what it seems. The structure of such stories is often that of a quest in which an intellectual nonconformist questions apparent certainties&#8221; (Clute, J. Nicholls, P. <em>Encyclopedia of Science Fiction</em>, p.479). É propriamente uma desintegração do campo significativo do sujeito provocado por algum elemento disruptivo que o obriga a alterar a sua posição de engajamento na realidade. Há algo nesses fenômenos que perturba a fantasia (aquilo que o sujeito criou para sustentar a sua posição no grande Outro).</p>
<p>S: o &#8220;mercado&#8221; como o pano de fundo simbólico do capitalismo tardio? é possível ler <em>O Anti-Édipo </em>assim?</p>
<p>I: o cyberspace como o nosso campo de visibilidade, a nossa tela imaginária.</p>
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		<title>&#8220;amor como redenção&#8221; segundo a crimethinc</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 15:24:05 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Apaixonar-se é o último ato de revolução, de resistência para o tédio de hoje, socialmente restritivo, culturalmente constritivo, humanamente sem significado. Amor transforma o mundo. Onde o amante habitualmente sente tédio, ele agora sente paixão. Onde ele uma vez era complacente, ela agora é excitado e compelido para ações assertivas. O mundo que uma vez [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=196&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Apaixonar-se é o último ato de revolução, de resistência para o tédio de hoje, socialmente restritivo, culturalmente constritivo, humanamente sem significado. Amor transforma o mundo. Onde o amante habitualmente sente tédio, ele agora sente paixão. Onde ele uma vez era complacente, ela agora é excitado e compelido para ações assertivas. O mundo que uma vez pareceu vazio e enfadonho torna-se pleno de sentido, pleno de riscos e gratificações, com majestade e perigo. Vida para o amante é um dom, uma aventura com as maiores possibilidades; todo momento é memorável, (&#8230;). Quando apaixona-se, o homem que uma vez se sentiu desorientado, alienado e confuso saberá exatamente o que quer. Repentinamente, sua existência fará sentido para ele; repentinamente, ela se tornará valiosa, mesmo gloriosa e nobre. “Burning passion” é um antídoto que curará casos graves de desespero e obediência resignada.</p>
<p>Amor torna possível para os indivíduos conectarem-se com outros sem um caminho pleno de sentido – impele-os a abandonar suas carapaças e arriscar serem honestos e espontâneos juntos, ir conhecer o outro profundamente. Portanto amor torna possível para eles cuidar dos outros genuinamente. Mas, ao mesmo tempo, arranca o amante fora das rotinas do cotidiano e separa-o de outros seres humanos. Ele sentirá a milhões de milhas de distância da humanidade, vivendo em um mundo inteiramente diferente.</p>
<p>Verdadeiro amor é irresponsável, irreprimível, rebelde, desdenhoso de qualquer covardia, perigoso para o amante e todos ao seu redor, para isso ele serve a um único mestre: a paixão que faz o coração humano bater mais veloz. Ele ignora qualquer coisa, seja auto-preservação, obediência ou vergonha.</p>
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		<title>[a economia subjetiva do bloom (ou a frágil economia de nós mesmos)] &#8211; #3</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Oct 2009 01:55:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[a inocência do bloom é acreditar no segredo quando, mesmo se não há fala, o não-dito funciona.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>a inocência do bloom é acreditar no segredo quando, mesmo se não há fala, o não-dito funciona.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/193/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=193&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>[economia subjetiva do bloom] &#8211; #2</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 22:24:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[o bloom é um esquizofrênico, porque as suas tentativas de revolta são tomadas como irreais já que todos os conflitos possíveis encontram resolução na suposta garantia de liberdade individual. o que importa se há discriminações de toda espécie se isso não impede que o bloom continue a produzir e consumir livremente? por isso que, se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=189&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>o bloom é um esquizofrênico, porque as suas tentativas de revolta são tomadas como irreais já que todos os conflitos possíveis encontram resolução na suposta garantia de liberdade individual. o que importa se há discriminações de toda espécie se isso não impede que o bloom continue a produzir e consumir livremente? por isso que, se ocorre ao bloom ser negro, todas as discriminações que ele sofrer são prontamente compreendidas como fenômenos psicológicos: no campo social já não há mais espaço para crítica.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/189/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/189/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/189/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=189&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>[economia subjetiva do bloom] &#8211; #1</title>
		<link>http://lautrenom.wordpress.com/2009/07/25/economia-subjetiva-do-bloom-1/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 16:27:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[o bloom sente tédio porque, frente às injunções da ordem simbólica, ele se satisfaz com respostas banalmente estereotipadas.
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>o bloom sente tédio porque, frente às injunções da ordem simbólica, ele se satisfaz com respostas banalmente estereotipadas.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/185/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=185&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>o devir ou &#8220;a construção do caos&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 22:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[se alguém quer lutar ou dançar (em suma, compor o seu corpo no espaço e no tempo), pode reproduzir os passos de um expert ou de um manual, mas pode também ser sensível àquilo que surge e que o afeta durante o processo (o corpo do adversário, o corpo do parceiro, o clima, a textura [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=180&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>se alguém quer lutar ou dançar (em suma, compor o seu corpo no espaço e no tempo), pode reproduzir os passos de um <em>expert</em> ou de um manual, mas pode também ser sensível àquilo que surge e que o afeta durante o processo (o corpo do adversário, o corpo do parceiro, o clima, a textura do chão, etc). no caso da música, a composição pode se estabelecer em uma estrutura rígida com as paradas e avanços que criarão emoções previamente determinadas em um ouvinte ideal. ou, ao contrário, pode ser uma sobreposição de ritmos desconexos e melodias dissonantes que correm o risco de expulsarem o ouvinte ideal e aproximar o ouvinte criativo. pode-se preservar a tradição de uma comunidade tomando o passado como um conjunto de leis e regras que legitimam o (e são reproduzidas no) presente. por outro lado, o passado pode ser apenas um reservatório cuja função é fornecer guias para destacar o novo do agora e aumentar a distância rumo ao futuro. do mesmo modo, pode-se crescer como uma árvore (hierarquicamente: começo/meio/fim, &#8220;primeiro isso, depois aquilo&#8221;) ou se disseminar como um rizoma ligando os elementos de modo aleatório tendo apenas a intensidade como critério que guia a dispersão.</p>
<p>tudo isso não se trata de uma imagem poética, nem abstrata. são PROCEDIMENTOS distintos que não só diferenciam a vegetação (árvores X rizomas), mas também a pintura, a música, a política, a literatura, o desejo, a dança, a luta (o boxe X a capoeira)&#8230; o devir é meramente um procedimento que ignora a lógica da unidade e que PRODUZ A DIFERENÇA.</p>
<p>sabe os quadros do miró que, ao contrário da pintura tradicional, não representam uma figura, uma paisagem, um rosto bem determinado e que ao invés disso enfatizam o jogo livre de cores sobre o quadro?</p>
<p>é isso!</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/180/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/180/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/180/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=180&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>sexta-feira, vinte e sete de março de dois mil e nove (quando já não se pensa mais em outra coisa)</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Mar 2009 16:27:31 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;é. você tem razão: há aqueles sonhos que insistimos em voar e não conseguimos. ou  aqueles em que precisamos gritar, mas a voz não sai. ou também aqueles que estamos tentando frustradamente dirigir um carro. enfim, todos eles denotam uma insistência sem resposta. quase como conversar sozinho. voltar a palavra para alguém sem conseguir fazer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=173&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;é. você tem razão: há aqueles sonhos que insistimos em voar e não conseguimos. ou  aqueles em que precisamos gritar, mas a voz não sai. ou também aqueles que estamos tentando frustradamente dirigir um carro. enfim, todos eles denotam uma insistência sem resposta. quase como conversar sozinho. voltar a palavra para alguém sem conseguir fazer o outro apreender um significado. então não é que você esteja mudo ou vazio. não é que você não faça nada com o carro. não é que você não fale nada. o problema é justamente que você é <strong>forçado </strong>a falar ainda quando o outro não entende. você é <strong>forçado </strong>a insistir e experimentar a frustração sem nunca parar. quando você se apega a algum significado, quando você diz pra si mesmo que dirá sob a condição de dizer <em>isto</em>, você sofre porque sempre gagueja, porque sempre parece grunhir e não dizer. é muito parecido com a paixão. apaixona-se quase que aleatoriamente e sempre se parece com um ato ridículo ou louco e a única coisa que dará consistência/legitimidade à paixão será ela própria e mais nada. nada justificará a sua insistência a não ser ela mesma. apaixonar-se é sempre violentar o mundo, é sempre dizer o quanto ele está profundamente iludido quando reclama qualquer razão. paixão e comunicação são opostos extremos. a teoria política do amor diz que essa é a forma, anti-democrática por excelência, como os fascistas amam. não se sabe certamente o que é um fascista que mata por verdades demais e não por verdades de menos: sua paixão é contra aquele que justamente não compreende uma palavra do que o fascista diz&#8221;.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/173/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/173/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/173/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/173/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/173/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/173/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/173/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/173/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/173/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/173/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=173&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 14:17:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Freud, em A Interpretação dos Sonhos, sobre o recente tratamento europeu aos imigrantes (&#8220;ilegais&#8221; ou não) e o recente caso da brasileira Paula Oliveira na Suíça:
&#8220;Imaginemos o seguinte caso: há uma pessoa de minhas relações a quem odeio, de maneira que tenho uma viva inclinação a ficar contente quando alguma coisa adversa lhe acontece. Entretanto, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=167&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Freud, em <em>A Interpretação dos Sonhos</em>, sobre o recente tratamento europeu aos imigrantes (&#8220;ilegais&#8221; ou não) e o recente caso da brasileira Paula Oliveira na Suíça:</p>
<p>&#8220;Imaginemos o seguinte caso: há uma pessoa de minhas relações a quem odeio, de maneira que tenho uma viva inclinação a ficar contente quando alguma coisa adversa lhe acontece. Entretanto, o lado moral de minha natureza não faz concessões a esse impulso. Não me atrevo a expressar o desejo de que ela seja infeliz e, caso ela depare com algum infortúnio imerecido, suprimo minha satisfação diante disso e me imponho manifestações e pensamentos de pesar. Todos já devem ter passado por essa situação em algum momento. Mas acontece então que a pessoa odiada, por alguma transgressão sua, envolve-se num aborrecimento merecido; quando isso acontece, posso dar rédea solta à minha satisfação por ela ter recebido uma punição justa e, nisto, estou de acordo com muitas outras pessoas que são imparciais. Posso observar, contudo, que minha satisfação parece mais intensa que a dessas outras pessoas; ela recebeu um acréscimo da fonte de meu ódio, até então impedida de manifestar seu afeto, mas que, com a alteração das circunstâncias, já não tem nenhum obstáculo para fazê-lo. Na vida social, isso geralmente ocorre sempre que as pessoas antipáticas ou os membros de uma minoria impopular se mostram sem razão&#8221;.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://lautrenom.wordpress.com/2009/02/28/167/"><img src="http://img.youtube.com/vi/3VSguNay8Ys/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>(propaganda eleitoral do SVP, o partido do atual presidente suíço)</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/167/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/167/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/167/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/167/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/167/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/167/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/167/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/167/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/167/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/167/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=167&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 22:25:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Por que mentes para mim&#8221;, é exclamado quase sem fôlego, &#8220;sim, por que mentes para mim, dizendo-me que vais a Cracóvia, para que eu creia que estás indo a Lemberg, quando, na realidade, é a Cracóvia que vais?&#8221; (uma história judaica do despojamento).
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=165&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Por que mentes para mim&#8221;, é exclamado quase sem fôlego, &#8220;sim, por que mentes para mim, dizendo-me que vais a Cracóvia, para que eu creia que estás indo a Lemberg, quando, na realidade, é a Cracóvia que vais?&#8221; (uma<em> história judaica do despojamento</em>).</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/165/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/165/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/165/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/165/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/165/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/165/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/165/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/165/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/165/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/165/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=165&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 01:28:30 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Porque resta da gente tão pouca coisa, pouca lembrança, uma pequena impressão apenas,  compreende? A gente nasce e tenta sobreviver sem saber por quê, apenas continua tentando. E a  gente nasce em meio a uma porção de outras pessoas, junto com elas, que também estão tentando,  tendo que tentar, movendo os braços [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=150&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Porque resta da gente tão pouca coisa, pouca lembrança, uma pequena impressão apenas,  compreende? A gente nasce e tenta sobreviver sem saber por quê, apenas continua tentando. E a  gente nasce em meio a uma porção de outras pessoas, junto com elas, que também estão tentando,  tendo que tentar, movendo os braços e as pernas que estão presos aos fios, os mesmos fios que  estão tramados a outros braços e pernas e todos os outros tentando também, sem saber por quê. A  única coisa que se sabe é que todos os fios estão trançados, enredados, um no caminho do outro. É  como se cinco ou seis pessoas tentassem fazer um tapete no mesmo tear e cada uma quisesse tecer e bordar nele o seu modelo. E isso deve ser importante, não é? Porque senão Aqueles que criaram o  tear teriam arranjado as coisas de uma forma um pouco melhor. Mesmo assim, deve ser importante,  porque a gente continua tentando ou tendo que continuar a tentar, e então, de repente, tudo  acaba. (&#8230;) E por isso, se a gente puder ir até alguém, quanto mais estranho melhor, para  dar-lhe alguma coisa: um pedaço de papel, alguma coisa, qualquer coisa, não que tenha significado em si mesma, que eles tenham que ler, guardar, ou até mesmo se incomodar em jogar fora ou  destruir, mas algo que ao menos represente alguma coisa, de tudo o que aconteceu, alguma coisa  que possa ser lembrada&#8221; (<em>Absalão! Absalão!</em>).</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/150/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/150/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/150/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/150/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/150/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/150/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/150/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/150/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/150/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/150/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=150&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 01:01:55 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Nem amigo, nem amante, nem sexo ou comuna hão-de abrigar-me o que nem já a escrita – meus fantasmas calados à ilharga do que vos não escrevo a ninguém, todas as histórias de invenção da palavra verá emudecidas e ainda bem. Não há nada mais para expor. É o tempo do não que nem mesmo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=148&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Nem amigo, nem amante, nem sexo ou <span style="text-decoration:line-through;">comuna</span> hão-de abrigar-me o que nem já a escrita – meus fantasmas calados à ilharga do que vos não escrevo a ninguém, todas as histórias de invenção da palavra verá emudecidas e ainda bem. Não há nada mais para expor. É o tempo do não que nem mesmo qualquer mau humor conjunto ou obra boa pode descrescer. É o lugar do avesso e me descoso de tudo nele. É a colheita do joio, ver uma a uma cortadas e trilhadas em molhe as espigas do cereal que imitei, sem nunca ter amado a metáfora, sem provavelmente ter amado nunca o que quer que fosse senão a esquiva, o esquivado de tudo, a entrelinha, a firmemente sinuosa linha, a escorreita água de aço da verdadeira vida, a por debaixo, a que ainda não, que a outra põe ao rubro, sendo a absurda metáfora só o que tão real parece e é dito, todos vivendo com o bom anjo da convicção escarranchado à ombreira do ombro, à ilharga dos gestos, à beira da fala&#8221; (<em>Novas Cartas Portuguesas</em>).</p>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 16:16:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[As coisas que seríamos obrigados a ver caso olhássemos de verdade devem ser muito ruins para que todos deliberadamente se esforcem tanto para serem tão estúpidos e infantis. E não ser estúpido é uma grande estupidez: é preciso mostrar que você entrou no jogo, que está disputando um lugar no hall dos idiotas. Todo mundo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=142&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>As coisas que seríamos obrigados a ver caso olhássemos de verdade devem ser muito ruins para que todos deliberadamente se esforcem tanto para serem tão estúpidos e infantis. E não ser estúpido é uma grande estupidez: é preciso mostrar que você entrou no jogo, que está disputando um lugar no hall dos idiotas. Todo mundo incorporou a verdade que nada realmente é sério o bastante, que tudo não passa de uma grande piada, que devemos fazer as coisas de um modo tal que demonstremos a cada gesto que não acreditamos naquilo que estamos fazendo e, sendo assim, aquilo que fazemos é inteiramente substituível por qualquer outra mentira a encenar. Estranho seria se alguém não mostrasse oposição à idiotice, mas encenasse uma não-afetação, encenasse uma distância. Frente ao falatório, não gritar por uma conversa mais racional, mas opor um silêncio, ou melhor, um monólogo em voz tranquila, uma fala não comunicativa. Alguém que sabe que nunca se ganha a vida disputando um lugar no mundo.</p>
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		<title>vitória, cinco de março de dois mil e um</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 23:51:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[é mal colocada a questão do prazer. simplesmente não importa se há ou se não há. afinal, que diferença faz? você pode fazer um bocado de coisas na vida para as quais a realização será indiferente ao fato de você gostar ou não gostar disso. de todo modo, eles vêm e vêm querendo algo. vêm [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=134&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>é mal colocada a questão do prazer. simplesmente não importa se há ou se não há. afinal, que diferença faz? você pode fazer um bocado de coisas na vida para as quais a realização será indiferente ao fato de você gostar ou não gostar disso. de todo modo, eles vêm e vêm querendo algo. vêm no seu furor irrestível. vêm com uma febre alarmante ou com a serenidade de uma brincadeira. grande parte vêm como uma máquina. trata-se quase de uma espécie de hora-extra. como diz um tio meu com uma precisão que muitos psicanalistas não atingem: trata-se de &#8220;trocar o óleo&#8221;. é uma questão econômica. poderiam substituir tudo isso por uma máquina de socar. por uma máquina de correr. as pessoas amarram seu corpo nela e pronto: todo seu excesso está sugado e não provocará mais ruído. guardadas as diferenças no que diz respeito às avaliações morais, é quase como uma academia de ginástica. em geral, a despeito de toda loucura a que se permitem no momento determinado, todos são muito bem comportados conosco. tratam-nos com a educação que tratam a atendente de uma padaria. pois não é muito diferente disso. somos trabalhadoras e eles são consumidores. sempre foi assim. mas antes eu imagino que era menos assim. era mais fácil para as coisas debandarem. não é bom se isso acontece. é bom que cada um mantenha o seu lugar. não é bom misturar as coisas. fazemos a nossa função e eles vêm a nós para conseguir cumprir a deles. eu já vi a culpa correr pelo rosto de muitos. a culpa pela incompatibilidade que nunca conseguem ressolver entre aquilo que eles fazem conosco e toda a vida lá onde eles conseguiram conquista-la. ainda pior aqueles que já nada sentem. nem mesmo culpa. não é mais uma mente que avalia. não há mente. não têm mais outra vida para ressentir e, na verdade, tudo aquilo lhes cai muito bem. a culpa dá um colorido ao vício que sem ela seria de uma satisfação como aquela de esvaziar o estômago ou a bexiga na privada. a culpa: quanto mais avançamos para um lado, quanto mais intenso fica o outro. como se vissemos melhor com os olhos das costas assim que nos falha o da fronte. algo quis que seja o sexo o bode expiatório de nós mesmo, algo quis que ele ocupasse esse lugar mais afastado das cidades, não porque está longe (está sempre ao alcance da mão), mas porque está sempre nas fronteiras (na beira dos portos, das rodoviárias e das estradas), como que sobrevivendo sob eterna possibilidade de expulsão definitiva. não é o bordel que colocamos no visível das nossas cidades, porque não é o sexo que queremos que seja visto em nossos corpos, não é ele que queremos que seja ouvido na nossa linguagem. o bordel está na borda. bons homens que sabem administrar esse negativo. sabem passar pelo inevitável do desejo sem ser tragado por ele. sabem se sujar, mas sabem se limpar. sabem parecer inocentes. independente do motivo que levou a ser o sexo o nosso principal negativo, sendo ele, descobrimos que ele é administrável, que não é uma matéria indócil. mais importante do que a possibilidade de ser eternamente tragado pela paixão é a presença do imaginário sobre a paixão como algo que nos leva até ao desumano.</p>
<p>estou em vitória. mandaram-me para cá. ouvi dizer que as coisas são melhores que em são paulo. não tenho certeza. o cheiro da rua onde fica o hotel é tão ruim quanto ao outro. algo como urina e cheiro de suor de gente mais o álcool derramado nos bares. é bom mudar de lugar com tanta frequência assim. não temos tempo suficiente para se adaptar, então o sofrimento que acumulamos no lugar onde estavamos permanece precariamente dentro de nós porque não reconhecemos mais tão facilmente os signos que remetiam a ele. custamos a identificar os rostos que nos trazem desprazer, onde lemos o signo da frustração. esse é todo o segredo da viagem. os signos de perigo, no entanto, são destacados e podemos senti-lo em cada traço.  mas não quero ficar aqui por muito tempo. depois que a beatriz nascer, acho que é hora de parar. de fazer outra coisa. ainda não sei o quê, mas prometo que vou tentar.</p>
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		<title>belo horizonte, 01 de dezembro de 2008</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2008 19:39:50 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[sabendo da realidade do seu amor, quem seria capaz de imaginar que ela só se tornaria realmente feliz após a sua partida? quem poderia supor que a sua felicidade e a realização daquilo que ela desejava não poderiam jamais coincidir? a distância fazia parte do que ele era dentro dela e só quando longe ele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=130&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>sabendo da realidade do seu amor, quem seria capaz de imaginar que ela só se tornaria realmente feliz após a sua partida? quem poderia supor que a sua felicidade e a realização daquilo que ela desejava não poderiam jamais coincidir? a distância fazia parte do que ele era dentro dela e só quando longe ele seria realmente algo. quando perto,  não lhe causava sofrimento, mas caía em uma banalidade cotidiana que ofuscava todo e qualquer brilho que antes se produzia. tal qual os autores que tanto amamos, mas quando temos a oportunidade de compartilhar com eles uma mesa de bar, se tornam perfeitos idiotas como qualquer outro. porém ela era corajosa demais para se satisfazer com a distância. ela precisava olhar para ele, sentir sua respiração próxima da sua carne, ainda que ao custo de se livrar do que era e inventar outra conjunção [elamundo]. fracassou: como os meninos que retornam para o meio da rua quando a senhora de sacolas na mão terminou de atravessar o campo delimitado por quatro chinelos (dois em cada gol), a felicidade retornava com a partida dele. e apenas quando ele morreu qu&#8217;ela sentiu sua presença real. e disse, num relâmpago de consciência: &#8220;triste mundo de desejo no qual o tempo todo somos lançados em uma estratégia na qual aquilo que queremos e fazemos deve ser sempre incluído, nos nossos cálculos, na terceira pessoa do singular, ainda que muitas vezes temos todos os motivos para supor que não se trata de uma apenas&#8221;.</p>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 16:36:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Sim, senhor. Quem pode com uma mulher? Porque você sabe o que eu acho? Acho que ela estava apenas viajando. Não acho que ela tivesse a menor intenção de encontrar seja quem for que estivesse seguindo. Acho que ela jamais pretendeu isso, só que não tinha dito a ele. Acho que essa foi a primeira [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=121&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Sim, senhor. Quem pode com uma mulher? Porque você sabe o que eu acho? Acho que ela estava apenas viajando. Não acho que ela tivesse a menor intenção de encontrar seja quem for que estivesse seguindo. Acho que ela jamais pretendeu isso, só que não tinha dito a ele. Acho que essa foi a primeira vez que ela foi mais longe de casa do que poderia caminhar de volta antes do ocaso da sua vida. E que ela tinha ido tão bem até esta lonjura, com as pessoas cuidando dela. E por isso acho que ela meteu na cabeça de viajar um pouco mais e ver o máximo que podia, pois acho que sabia que quando se assentasse desta vez, provavelmente seria para o resto da sua vida. Isso é o que eu acho. Sentada ali naquele caminhão, com ele do seu lado agora e o bebê que não parou um instante de comer, que vinha tomando o café-da-manhã fazia quase dezesseis quilômetros como se estivesse num desses carros-restaurantes do trem, e ela olhando para fora e vendo os postes telefônicos e as cercas passando como se fosse um desfile de circo. Porque depois de um tempo eu disse: &#8216;Aí vem Saulsbury&#8217;, e ela diz: &#8216;O quê?&#8217;, e eu disse: &#8216;Saulsbury, Tennessee&#8217;, e olhei para trás e vi o seu rosto. E era como se ela já estivesse preparada e esperando para ser surpreendida, e que ela soubesse que quando a surpresa viesse ia gostar dela. E ela veio e lhe serviu. Porque ela disse: &#8216;Ora, ora. O tanto que a gente anda. Não faz dois meses que nós estamos vindo do Alabama, e agora já é o Tennessee&#8217;&#8221; (<em>Luz em Agosto</em>).</p>
<p><a href="http://lautrenom.files.wordpress.com/2008/11/imagem.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-122" title="http://www.flickr.com/photos/stephborges/" src="http://lautrenom.files.wordpress.com/2008/11/imagem.jpg?w=460&#038;h=307" alt="http://www.flickr.com/photos/stephborges/" width="460" height="307" /></a></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=121&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>belo horizonte, vinte e um de agosto de 2008</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 05:02:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[leve sua mão ao meu coração como quando aproxima-a de um bicho dócil. aproxime-a hesitante e cuidadosa como quando aproxima-a do fogo. aconchegue-a sobre meu peito como quando no encontro de outra. surpreenda-se com essa batida e, um instante, sofra a incerteza da outra. imite a intempestividade desses socos e sem perguntar lance seus braços [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=53&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;">leve sua mão ao meu coração como quando aproxima-a de um bicho dócil. aproxime-a hesitante e cuidadosa como quando aproxima-a do fogo. aconchegue-a sobre meu peito como quando no encontro de outra. surpreenda-se com essa batida e, um instante, sofra a incerteza da outra. imite a intempestividade desses socos e sem perguntar lance seus braços em meus ombros em abraço. coloque seu coração na lacuna do meu peito na qual um me falta já que (é certo) ao mesmo tempo eu o farei com você.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/lautrenom.wordpress.com/53/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/lautrenom.wordpress.com/53/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/53/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/53/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/53/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=53&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<pubDate>Tue, 10 Jun 2008 02:21:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[em um dos poucos fragmentos de seus escritos, r.a. diz que (tradução livre): &#8220;para subverter uma lei, é melhor intaurar outra do que negar aquela&#8221;. os comentadores insistem no fato de que a profundidade dessa passagem de a. é que a segunda lei nada tem a ver com a primeira. mas uma certa linha interpretativa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=36&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>em um dos poucos fragmentos de seus escritos, r.a. diz que (tradução livre): &#8220;para subverter uma lei, é melhor intaurar outra do que negar aquela&#8221;. os comentadores insistem no fato de que a profundidade dessa passagem de a. é que a segunda lei nada tem a ver com a primeira. mas uma certa linha interpretativa mais ocidental (é preciso dizer), com todo o peso do conto &#8220;diante da lei&#8221; e uma considerável herança racionalista, acredita que a segunda ainda só faz qualquer sentido sob o olhar da primeira. alguns filósofos chamam essa astúcia de &#8220;olho de boi&#8221;, ao qual nada escapa. por outro lado, em um artigo ainda no prelo, c.v. diz que é um resto, ao qual se deve estar sempre atento (e somente a ele), que importa no ensino, não sendo nunca uma totalidade &#8211; categoria que, desde o começo, leva ao fracasso da compreensão.</p>
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		<title>belo horizonte, seis de maio de 2008</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 01:30:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[queridx,
quando, por acaso, abri um livro qualquer que, dentre tantos outros, apareceu na minha frente não tive como não lembrar dos seus olhos cheios de lágrimas me dizendo que já não havia mais motivo para viver depois qu&#8217;aqueles momentos tão preenchidos e tão cotidianos jamais poderiam se repetir e agora o que restava era viver [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=29&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>queridx,</p>
<p>quando, por acaso, abri um livro qualquer que, dentre tantos outros, apareceu na minha frente não tive como não lembrar dos seus olhos cheios de lágrimas me dizendo que já não havia mais motivo para viver depois qu&#8217;aqueles momentos tão preenchidos e tão cotidianos jamais poderiam se repetir e agora o que restava era viver sem eles que haviam feito as malas e partido sem ao menos escrever um bilhete te deixando entre as ruínas que se derramam como o resto do dia de festa anterior. o trecho aparece citado em um livro de um certo monsieur antoine serres que, segundo informa a orelha do exemplar, morreu pelas mãos de um mendigo &#8211; não menos ordinário &#8211; após uma calorosa discussão na mesa de um bar localizado bem perto do fim da cidade.  pois bem, eis o fragmento:  &#8220;agir no vazio: sem pressupostos nem pretensões. tomar consciência dessa condição sem angústia. amar de tal modo que só o amor preencha o amor. essa é a ontologia da ação. esquecimento e castidade&#8221;.</p>
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		<title>argel, sete de setembro de 1979</title>
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		<pubDate>Fri, 23 May 2008 19:19:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“quem escreve? para quem? e para enviar, destinar, expedir o quê? para que endereço? sem nenhum desejo de surpreender, e com isso captar a atenção por meio da obscuridade, devo, pelo que me resta de honestidade, dizer que finalmente não sei. sobretudo eu não teria tido o menor interesse nesta correspondência e neste recorte, quero [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=25&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>“quem escreve? para quem? e para enviar, destinar, expedir o quê? para que endereço? sem nenhum desejo de surpreender, e com isso captar a atenção por meio da obscuridade, devo, pelo que me resta de honestidade, dizer que finalmente não sei. sobretudo eu não teria tido o menor interesse nesta correspondência e neste recorte, quero dizer, nesta publicação, se alguma certeza tivesse me satisfeito quanto a isso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">vocês irão experimentar, e sentir às vezes intensamente, embora confusamente, que os signatários e os destinatários não são sempre visíveis e necessariamente idênticos de um envio para outro, que os signatários não se confundem inevitavelmente com os expedidores nem os destinatários com os receptores, ou mesmo com os leitores (você, por exemplo, etc.). trata-se de sentimento desagradável, pelo qual peço a cada leitor, cada leitora, que me perdoe. para dizer a verdade, ele não é apenas desagradável, ele os coloca em relação, sem discrição, com a tragédia. ele os proíbe de regular as distâncias, de pega-las ou de perde-las. essa foi um pouco a minha situação, e esta é a minha única desculpa”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">(Derrida, J. <em>o cartão-postal: de sócrates a freud e além</em>)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">on écrit pour qui? il y a plusieurs réponses. est-ce que l&#8217;on écrit pour nous même? est-ce que l&#8217;on écrit pour les autres? est-ce que ces autres sont connus ou inconnus? est-ce que jamais on ne connaîtra ces autres? on écrit pour un lecteur qui encore n&#8217;existe pas. la question est savoir si l&#8217;objet importe vraiment pour l&#8217;écriture. je pense que non. l&#8217;objet, le lecteur, est secondaire. la création, et non la communication, est celui que réellement importe. la communication est quelque chose de trés difficile que ne depend pas seulement de qui parle (c&#8217;est de qui elle depend le moins). elle est un événement que est au-delà du parlant. la communication est un recontre tellement beau et tellement rare que nous sommes innocents (et nous sommes) si croyons qu&#8217;elle arrive facilement. ainsi, peu importe savoir si l&#8217;écrivain écrit pour lui même ou pour les autres, mais importe si il écrit pour un lecteur à venir.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/lautrenom.wordpress.com/25/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/lautrenom.wordpress.com/25/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/25/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/25/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/25/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=25&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>são paulo, quatro de fevereiro de 2008</title>
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		<pubDate>Thu, 22 May 2008 19:21:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[e se o arauto esquecesse a ilusão que é comunicar e, enfim, acreditasse que aquilo que ele fala é apenas ruído? e, depois, não tentasse falar qualquer coisa que seja, mas, ao contrário, seguisse na direção inversa e elevasse o ruído a tal ponto que já não restasse forma alguma, palavra alguma, mas somente uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=24&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>e se o arauto esquecesse a ilusão que é comunicar e, enfim, acreditasse que aquilo que ele fala é apenas ruído? e, depois, não tentasse falar qualquer coisa que seja, mas, ao contrário, seguisse na direção inversa e elevasse o ruído a tal ponto que já não restasse forma alguma, palavra alguma, mas somente uma força, uma intensidade? de fato, ele não usaria a voz ou o papel, já não usaria palavras, porque seu objetivo agora seria, incessantemente, dar nome ao sem-nome. ele criaria novos instrumentos, ou renovaria aqueles que já existem, para nomear o a-nônimo com seu corpo ligado em um pedal de overdrive. as orelhas rudes diriam: ‘eu conheço esse idioma&#8230;’, obrigando o arauto a regressar àquela linguagem (como quem desce a montanha ou regressa à caverna) para explicar que ele entrou pelo lado errado do som. então, novamente, o povo perguntaria: ‘o que é que diz essa mensagem que não utiliza as palavras do nosso idioma? o que diz essa mensagem que nada comunica?’. o arauto palavraria pela última vez: ‘mesmo que, por vezes, se utilize de palavras, a música abarca aquilo que não corresponde a nenhuma palavra&#8230;’.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/lautrenom.wordpress.com/24/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/lautrenom.wordpress.com/24/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/24/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=24&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>brejo santo, treze de agosto de 1944</title>
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		<pubDate>Mon, 12 May 2008 01:10:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[a pequena garota esperava alguém. alguém que ela não sabia quem era. mas ela sabia que quando essa pessoa a visse, a reconheceria de imediato. ocorria, para ela, que o contrário não era verdade. ela não seria capaz de reconhecer a pessoa que ela esperava a não ser depois que essa pessoa mesma se mostrasse. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=22&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">a pequena garota esperava alguém. alguém que ela não sabia quem era. mas ela sabia que quando essa pessoa a visse, a reconheceria de imediato. ocorria, para ela, que o contrário não era verdade. ela não seria capaz de reconhecer a pessoa que ela esperava a não ser depois que essa pessoa mesma se mostrasse. por isso, ela se sentia como em um jogo no qual ela era certamente sujeito, mas também assujeitada. <em>elle est sujet et le sujet aussi</em>. dando-se conta disso, sem se dar conta da arbitrariedade do que se segue, ela estabeleceu um conjunto de signos que ela deveria conservar para ser reconhecida pelo seu alguém. ela deveria conservá-lo o maior tempo possível, porque era a qualquer momento e a qualquer lugar que qualquer pessoa poderia deixar de ser uma pessoa qualquer. por sorte, ela não percebeu que, não bastasse a arbitrariedade dos signos que se esforçava por conservar, ainda era possível que, caso a pessoa a reconhecesse (porque havia a possibilidade disso não ocorrer), ela o fizesse por outros signos, exatamente na brecha daqueles que a pequena selecionou e conservou com tanto afinco. de qualquer modo, ela talvez nem chegou a supor tal hipótese porque ela era esperta o suficiente para saber que, caso ocorresse de alguém entrar pelas brechas de seus signos, isso não bastaria para que ela abandonasse a sua confecção assim como de suas brechas. rascunharia lacunas. os signos e suas brechas: ambos seriam uma mesma ponte que a levaria rumo ao seu destino. o seu sucesso ou a sua derrota: ambos seriam combustíveis para sua esperança.</span></p>
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		<title>belo horizonte, trinta de abril de dois mil e oito</title>
		<link>http://lautrenom.wordpress.com/2008/05/01/belo-horizonte-trinta-de-abril-de-dois-mil-e-oito/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2008 01:51:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[
       <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=13&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://lautrenom.wordpress.com/2008/05/01/belo-horizonte-trinta-de-abril-de-dois-mil-e-oito/"><img src="http://img.youtube.com/vi/_y6hwrfPehs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/lautrenom.wordpress.com/13/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/lautrenom.wordpress.com/13/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/13/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/13/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/13/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=13&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>são paulo, onze de agosto de dois mil e oito</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 01:58:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[querida,
li esse conto em um jornal achado no metrô às onze horas e trinta minutos de ontem e lembrei de você e sua impaciência. o trecho que revelaria o autor se encontrava omitido por uma espécie de mancha de sorvete (ou de bosta). acredito que o texto, mais minha lembrança, lhe bastarão.
“j. r. rodrigues de alencar, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=8&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">querida,</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">li esse conto em um jornal achado no metrô às onze horas e trinta minutos de ontem e lembrei de você e sua impaciência. o trecho que revelaria o autor se encontrava omitido por uma espécie de mancha de sorvete (ou de bosta). acredito que o texto, mais minha lembrança, lhe bastarão.</span></p>
<p><span style="font-size:10pt;">“j. r. rodrigues de alencar, fotógrafo de uma pequena e não muito bem-sucedida empresa de publicidade, já não sabe mais ao certo a que tipo exato de imagens ele se direciona. desde que resolveu fotografar apenas instantes os mais raros, ele permanece constantemente com um singular estado de espírito, esperando uma manifestação, aguardando o sinal que a precede.<span> </span>das duas uma: ou ele desenvolve uma serenidade constante, indiferença emocional e fria atenção; ou ele passa todos os instantes acreditando ser o derradeiro. esta última seria insuportável. ele não sobreviveria um dia sequer. tudo seria o motivo para uma imensa descarga de energia, todo momento poderia preceder uma criação fantástica. um virar de rosto acompanhado dos cabelos, um sorriso por nada (do nada), uma lágrima que escorre sem motivo, um tropeção que precede a risada sem graça e as risadas de deboche, um possível atraso no vôo de uma ave entre os carros, a mão que balança nervosa contra os gatos em cima da mesa e que não espera jamais uma reação coletivamente enfurecida e tão organizada, o casal de namorados que já não sabe mais do que falam e parece que isso é realmente proposital: eles se perdem para se encontrar onde eles queriam desde o princípio e esse é o momento que j. r. ansiosamente aguarda. j. r. rodrigues de alencar sabe que é realmente uma limitação sua o fato de não poder abençoar todos os momentos, de não poder sacralizar a todos conservando-os. ele sabe que o que resta para ele é deixa-los fluir e abandonar-se à embriaguez contemplativa que era viver. não que isso fosse peculiar apenas a ela, mas ele sabe que sua profissão tem os seus meios particulares de se curvar frente ao mundo e ao tempo. e parece-lhe tão ausente de sentido chamar isso de ‘profissão’, porque ele pode passar dias, semanas, anos ou mesmo toda a sua vida sem conseguir fazer aquilo que ele almeja com a sua máquina. então, ele sabe e aceita que o agir envolvido na sua &#8216;profissão&#8217; não era fazer isto ou aquilo, mas era esperar, pacientemente, esperar, que isto ou aquilo fosse feito. não por ele. que heresia dizer que era ele! que falta de sensibilidade dizer ‘meu’, ‘seu’, ou, pior ainda, ‘eu’! ele sabia não se tratar nunca de j. r. rodrigues de alencar, mas sempre de uma brisa, de um clima, de uma luz, de um instante&#8230;”.</span></p>
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		<title>belo horizonte, doze de maio de mil novecentos e oitenta e cinco</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 01:52:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[aos poucos, ao contrário do que os títulos sugeriam, percebi que não eram livros de filosofia, porém de aventura. e perdido como estava entre uma seqüência interminável de “fulano disse que sicrano pensou que o outro defendia&#8230;”, me decidi, por fim, afirmar como de minha autoria a tese fundamental que, a princípio, comporia uma simples [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=7&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">aos poucos, ao contrário do que os títulos sugeriam, percebi que não eram livros de filosofia, porém de aventura. e perdido como estava entre uma seqüência interminável de “fulano disse que sicrano pensou que o outro defendia&#8230;”, me decidi, por fim, afirmar como de minha autoria a tese fundamental que, a princípio, comporia uma simples ementa de um livro que julgo impreciso, indeterminado e sem muita importância para qualquer literato mais rigoroso. talvez bastasse apenas que fosse atento. no entanto, qualquer coisa de curioso havia naquele livro que merecia a minha dedicação e para escrever-lhe um prólogo à altura precisaria de uma inspiração que, com toda sinceridade, só poderia dever a Borges e mais a nenhum outro, ainda que ele fosse completamente alheio ao tema do livro, o que não tem qualquer importância.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">pois bem! uma de suas peculiaridades é que o livro a que me refiro não existe. existiu talvez em algum passado, quando ainda se acreditava nele, ou existirá em um futuro longínqüo, quando se tornará afinal possível, mas <em>hic et nunc</em> ele era impossível.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">já passava da meia-noite. havia perdido as contas das minhas tentativas vãs de folhear as suas páginas. nunca havia me deparado com páginas mais impenetráveis. autor deveras confuso. afirmava e negava simultaneamente as suas teses, como em um esforço do paradoxo que não aceita solução sem fazer aparecer uma outra tese que não decorreria, por sua vez, de nenhuma característica particular da anterior, mas que surgiria assim, como que do nada. para afirmar essa terceira, apenas com uma violência interpretativa vinda do leitor e nada que fosse do próprio autor. sentia-me angustiado com aquela situação e, para evitá-la, restava-me recorrer a outros autores e dizer que eles que haviam dito aquilo que pretendia extrair do livro ao qual agora eu abordava. naturalmente, aqueles que revisaram o meu texto me objetaram firmemente a impossibilidade de tal movimento teórico, tendo em vista que não me baseava sobre qualquer prova concreta de uma relação entre o autor a que me referia e aquele sobre o qual pretendia falar. (é por essas e outras que tendo a acreditar que mais insuportável que os críticos são os críticos dos críticos, aqueles que conservam, lendo-os, essa profissão apenas por uma espécie de sadismo).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">permanecia com uma paciente perseverança, esperando encontrar no meu espírito aquela coerência que apenas as noites solitárias podem nos oferecer. aos poucos, aereamente, comecei a percorrer o emaranhado fio que, desenrolando-se, poderia compor ao final uma narrativa. aquela pista que me oferecia tinha um aspecto fortemente hipotético, porém ainda assim resolvi sem hesitação percorrê-la até onde fosse capaz.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">aquilo que viera a se desenrolar não era tão diferente assim da situação em que o fio pudera ser primeiramente percebido. tratava-se de um lugar calmo e seguro no meio de uma floresta. uma casa em uma clareira, muito longe de qualquer vizinhança. ao chegar nos limites que abriam para a mata fechada, podia-se escutar o zumbido louco e intratável de um coral heterogêneo de insetos somado ao arrastar dos pequenos animais que devem encostar suas barrigas nas folhas para se locomoverem. a única abertura que não tinha saída para a floresta era a de um pequeno rio. o rio ficava exatamente abaixo da janela da casa na clareira e, após passar por ela, continuava seguindo de onde havia começado: às margens da mata.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">o livro dá poucas pistas sobre as características de quem habitava a casa. se era fraco ou forte, grande ou pequeno, corajoso ou covarde, sábio ou ignorante. em todo caso, sabemos que vivia preso e pressionado pelo caos. o zumbido afetava-o imensamente e seu aprendizado, mesmo que possuísse apenas a parte positiva das duplas de características que listamos, seria o de enfrentar essa forte afecção. se fosse muito covarde, permaneceria no centro da casa, onde provavelmente a onda que o cercava poderia atingi-lo com menor intensidade. mas seria de outro modo caso fosse muito corajoso. se fosse demasiadamente corajoso, ele se aproximaria em algum dos mil cantos da parede que o cercava até ser completamente tragado por ela e, por fim, desapareceria completamente se emaranhando na terra úmida, na água lodosa, na atmosfera quente que percorre por cima do solo, nas gotas que escorrem pelas folhas, longamente conservadas. seus vasos sanguíneos seriam um cano em extensão com as fibras das plantas. seu grito seria o ponto de referência para que os pássaros soubessem se localizar e mesmo quando fosse atacado por algum animal violento ou venenoso, seu corpo ainda serviria de adubo e até as suas partes mais vergonhosas seriam devoradas por espécimes incontáveis de vermes.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">por fim, convenço-me que o livro é capaz de confirmar que as coisas se passaram exatamente assim.</span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/lautrenom.wordpress.com/7/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/lautrenom.wordpress.com/7/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/7/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=7&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>sils-maria, quatorze de agosto de mil oitocentos e oitenta e um</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 01:49:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[“(&#8230;) não somos fixados a um estado ou a um momento, mas somos sempre fixados por uma idéia como pelo clarão de um olhar, sempre fixados num movimento no qual, não obstante, estamos necessariamente implicados. afinal, de que adiantaria uma idéia se não fosse fixa e cruel tal como aquela descrita por Villiers de l’Isle-Adam?”
“estrelas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=6&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;">“(&#8230;) não somos fixados a um estado ou a um momento, mas somos sempre fixados por uma idéia como pelo clarão de um olhar, sempre fixados num movimento no qual, não obstante, estamos necessariamente implicados. afinal, de que adiantaria uma idéia se não fosse fixa e cruel tal como aquela descrita por Villiers de l’Isle-Adam?”</span></p>
<p><span style="font-size:8pt;">“estrelas, pão, bibliotecas orientais e ocidentais, naipes, tabuleiros de xadrez, galerias clarabóias e caves, um corpo humano para andar pela terra, unhas que crescem na noite, na morte, sombra que esquece, atarefados espelhos que multiplicam, declives da música, a mais dócil das formas do tempo, fronteiras do Brasil e do Uruguai, cavalos e manhãs, um peso de bronze e um exemplar da Saga de Grettir, álgebra e fogo, a carga de Junín no teu sangue, dias mais populosos que Balzac, o odor da madressilva, amor e véspera de amor, recordações intoleráveis, o sono como um tesouro enterrado, o liberal acaso e a memória, que o homem não olha sem vertigem”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:10pt;">um pensamento me corrói a alma. provoca uma espécie de vertigem tal qual aquela que, segundo Borges, Averróis sentiu por um instante. na descrição borgeana, junto com as escravas de cabelos negros (e também aquela única de cabelos ruivos), Averróis desvanece como a fumaça de um cigarro sob o efeito da brisa, e também a lembrança desse comentador de Aristóteles na memória de Borges. e é esse desvanecer, que ocorre como a sombra de um pensamento ao qual me é impossível detalhar com precisão, que me causa medo e espanto. medo, porque a parte de mim que me resta olha para a outra desaparecendo e treme ao refletir sobre o seu futuro. espanto, porque jamais algo estável pode se conceber desvanecido e indistinto de si mesmo, por mais que o veja no outro (parecido com ele) o desvanecimento. por isso, aparece-lhe como algo de sublime aquilo que lhe é colocado agora diante dos olhos. trata-se de um elemento estranho. privado de qualquer tipo de objetivação, mas determinante e presente. e sua presença garante a singularidade daquilo a que ele se aproxima, naquilo em que ele se insiste. jamais poderia chamar-lhe um vazio, mas, precisamente: o que dá positividade àquilo que chamaríamos “preenchido”. * com essas especulações metafísicas, passei longo tempo atormentado sem ao menos poder comunica-las a algum conselheiro que alcançasse uma profundidade semelhante ou, de preferência, alcançasse uma profundidade superior, o que, por sua vez, o capacitaria a arrancar esse mal de dentro do meu peito<a name="_ftnref1" href="#_ftn1"></a>[1]. ele seria capaz de me explicar o que, nos dias de hoje, parece-me impossível. livrar-me-ia de um pensamento que suponho estar tão arraigado quanto o fato de possuir um corpo e de não poder me livrar dele sem livrar de mim mesmo. parece ser <em>a</em> condição ou o pressuposto essencial que quando desvelado torna-se insuportável e elimina aquilo para o que ele dava base ou, simplesmente, se oculta. o fato da minha linguagem estar tão afetada por uma certa vulgata filosófica aumenta ainda mais a minha angústia para expressar-me e por vezes me obriga a usar palavras chulas com o intuito de escapar desse – se me é permitido essa expressão inovadora – “cacoete ontológico” (no sentido ambíguo que lhe cabe). precisamente, a questão jamais é a de encontrar um meio-termo entre dois idiomas (ambos impotentes), mas antes de não ter havido em tempo algum os opostos. * lidamos com nossas obsessões, com pensamentos que jamais nos abandonam, acreditando que não o expressamos simplesmente porque não queremos expressa-los. a cada vez que surgem, a própria mente apazigua o desespero que traz a dura necessidade dizendo para si própria: “é assim, mas facilmente poderia não ser”. mas o impossível é dar a prova dessa crença. impossível é dizer tudo aquilo que insiste em nossas mentes. não somos capazes disso e esse é o fato econômico que funda nossa trágica e onipresente ambigüidade. pensamento maldito, porque insiste em se debruçar, nos momentos mais inoportunos, sobre alguma sugestão abismal do instante. factualmente falando, trata-se para esse pensamento de impor ao indivíduo o qual ele implica uma relação frente aos outros uma posição de sincera inexistência. vontade de desaparecer, ainda que isso signifique privação (material, sobretudo), porque a fé de que há um algo a mais nesse desaparecimento, algo mais vital, algo realmente pulsante que virá a preencher o vazio deixado pelas preocupações fúteis e transitórias da sociedade, dos outros, dos amigos, do trabalho, do <em>samsara</em>&#8230; o viajante, por causa de seu pensamento, não se entrega à estrada porque queira ficar só, mas porque é apenas com a condição de encontrar um lugar realmente vazio que ele fará surgir os seus verdadeiros companheiros&#8230; é na extrema solidão decidida que o um se torna dois&#8230; eis porque, quando este pensamento ou quando algo pulsa realmente, quando uma seta brilha no deserto e nós não lhe recusamos a sugestão, por mais que isso seja aquilo a que mais depende a vida, por mais que seja de fato o seu verdadeiro sentido, isso significará para cada um de nós uma eterna maldição. a cada vez que o desejo encontrar o exterior, ele será traído. por isso, o cinismo é a manifestação mais honesta consigo próprio (ainda que devamos ser intoleráveis com um cínico, mas sempre tolerar a nós mesmo). um casal de amantes deve permanecer cínico com as sugestões exteriores para não dissolver o amor que corre apenas entre os dois. nesse sentido, é plausível a tese de que a distância conserva a mais estreita cumplicidade. * creio que você compreenda o que eu digo. creio que por mais que possamos através de algum malabarismo teórico provar que não é o mesmo significado que desfrutamos, a sua vontade em não me considerar menor por ser excêntrico (mas, ao contrário, ver uma virtude na coragem necessária para assumir essa posição) já me basta&#8230; faulkner, em <em>palmeiras selvagens</em> (um livro sobre o amor), sabia de tudo isso e sabia também da maldição a que se está implicado quando, sinceramente, <em>desejamos</em> [2]. * o pensamento se insinua pela borda desfazendo-a incisivamente procurando alcançar o centro. é o caos que se oferece ao pensamento. e se o mundo é o caos que o pensamento quer ordenar fabulando uma racionalidade para apreende-lo, não é apenas melhor, mas também não é mesmo necessário, que o próprio pensamento se torne ele mesmo o caos? e não seria o se emaranhar nessa alegria e multiplicidade originária a sua maior liberdade, a saber, a morte? sim! percebo agora: não é o pensamento que me atormenta, mas aquilo que é essencialmente o <em>fora</em> do pensamento.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><span style="font-size:8pt;">[1] “&#8230; a outra causa que me faz infeliz é o pensamento&#8230; em mim o pensamento provocou por longuíssimo tempo e ainda provoca martírios tais, pela simples razão de que me teve sempre e ainda me tem à sua mercê&#8230; que me prejudicou de maneira evidente, e acabará por matar-me, se eu antes não mudar de condição”.</span></p>
<div id="ftn1">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span style="font-size:8pt;">[2] “ – (&#8230;) Existe algo em mim que você e ela geraram, de que você é o pai. Me dê a sua benção. – Fique com a minha maldição – respondeu McCord”.</span></p>
</div>
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		<title>belo horizonte, quatorze de fevereiro de mil novecentos e setenta e sete</title>
		<link>http://lautrenom.wordpress.com/2008/04/20/5/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Apr 2008 23:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
				<category><![CDATA[cartas]]></category>

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		<description><![CDATA[querida, seu medo já não mais me assusta. nossa separação está consumada. pela tangente: assim sempre estarei em relação a você. eu sou um senhor sem escravo. resta a você se tornar também um de nós e, se quiser me encontrar, resta a você esperar um encontro. todo encontro de senhores é um encontro. porque, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=5&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">querida, <span style="font-size:10pt;">seu medo já não mais me assusta. nossa separação está consumada. <em>pela tangente</em>: assim sempre estarei em relação a você. eu sou um <em>senhor sem escravo</em>. resta a você se tornar também um de nós e, se quiser me encontrar, resta a você esperar um encontro. todo encontro de senhores é um <em>encontro</em>. porque, <em>o egoísmo é o segredo da inocência</em>. sem promessas de conciliação: um encontro. sem intersubjetividade: um encontro. sem relações aproximadas pela culpa ou pela compaixão: um encontro. sem solipsismos: um encontro. eu acredito no encontro e me lanço sem medo na sua espera. sei que ela não durará muito. acredite: sempre existirão encontros! ainda que sejam com meus fantasmas. mas, você não é também um fantasma? ainda pior do que os outros. ainda mais demoníaco: porque eles não cobram nada de mim. você quer o meu presente. você quer a anulação do meu presente. meus fantasmas são mais generosos. eles sabem que meu amor é um dom. que quando eu amo, eu dou. que quando eu amo, eu quebro todos os pratos da minha casa&#8230; que eu quebro a minha casa. pessoas medíocres&#8230; pequenas!, que não entendem que o amor é um dom. sempre desconfiadas. todas as vezes que recebem, pensam que é um truque que visa um lucro futuro. e quando tentam acreditar, mas se decepcionam, já estão com um silogismo pronto <em>desde o começo</em> para reclamar a traição. péssimos jogadores da existência (: “errou um lance? mas que isso importa ao bom jogador de dados. do contrário, não aprendestes a jogar como é preciso”)&#8230; os meus fantasmas aceitam de bom grado a destruição como um presente. porque <em>é preciso ser forte o suficiente para aceitar um amor</em>. é preciso ser forte o bastante para aceitar um presente.</span></p>
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		<title>lisboa, um de março de mil novecentos e setenta e um</title>
		<link>http://lautrenom.wordpress.com/2008/04/08/cartas-portuguesas/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Apr 2008 03:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pois que toda literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos. E já foi dito que não interessa tanto o objeto, apenas pretexto, mas antes a paixão; e eu acrescento que não interessa tanto a paixão, apenas pretexto, mas antes o seu exercício. Não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=4&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Pois que toda literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos. E já foi dito que não interessa tanto o objeto, apenas pretexto, mas antes a paixão; e eu acrescento que não interessa tanto a paixão, apenas pretexto, mas antes o seu exercício. Não será portanto necessário perguntarmo-nos se o que nos junta é paixão comum de exercícios diferentes, ou exercício comum de paixões diferentes. Porque só nos perguntaremos então qual o modo do nosso exercício, se nostalgia, se vingança. Sim, sem dúvida que nostalgia é também uma forma de vingança, e vingança uma forma de nostalgia; em ambos os casos procuramos o que não nos faria recuar; o que não nos faria destruir. Mas não deixa de ser a força e o exercício o seu sentido. Só de nostalgias faremos uma irmandade e um convento, Soror Mariana das cinco cartas. Só de vinganças, faremos um Outubro, um Maio, e novo mês para cobrir o calendário. E de nós, o que faremos? (<em>Novas Cartas Portuguesas</em>).</p>
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		<title>amsterdam, oito de setembro de mil seiscentos e setenta e seis</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2008 02:09:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>~jg.</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;o compromisso tomado verbalmente em relação a alguém de fazer ou, pelo contrário, de não fazer tal ou tal coisa, quando se tem o poder de agir contrariamente à palavra dada, permanece em vigor enquanto a vontade daquele que prometeu não se altera. com efeito, quem tem poder para romper os seus compromissos de modo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=1&subd=lautrenom&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div><span style="font-size:10pt;">&#8220;o compromisso tomado verbalmente em relação a alguém de fazer ou, pelo contrário, de não fazer tal ou tal coisa, quando se tem o poder de agir contrariamente à palavra dada, permanece em vigor enquanto a vontade daquele que prometeu não se altera. com efeito, quem tem poder para</span><span style="font-size:10pt;"> romper os seus compromissos de modo algum alienou os seus direitos, pois aqueles eram apenas verbais. portanto, se aquele, que é por direito de natureza seu próprio juiz, julgou reta ou erroneamente (errar é próprio do homem) que o compromisso tomado terá para si conseqüências mais nocivas que úteis e se considera em sua alma que tem interesse em quebrar o compromisso, quebra-lo-á por direito natural” (Spinoza, <em>Tratado Político</em>).</span></div>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/lautrenom.wordpress.com/1/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/lautrenom.wordpress.com/1/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lautrenom.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lautrenom.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lautrenom.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lautrenom.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lautrenom.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lautrenom.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lautrenom.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lautrenom.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lautrenom.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lautrenom.wordpress.com/1/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lautrenom.wordpress.com&blog=3327280&post=1&subd=lautrenom&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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